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sábado, 3 de abril de 2010

Niemann-Pick C

Definição

Niemann-Pick Tipo (NP-C) é uma doença genética, neurologicamente progressiva, grave e rara.

Sintomas

Os sintomas da doença variam muito em relação ao seu início e evolução. Começam geralmente a manifestar-se na idade escolar, mas também é comum aparecerem logo nos primeiros meses de vida e menos frequentemente já na idade adulta. Mesmo que os sinais apareçam mais cedo, é comum a família esperar vários anos até se chegar ao diagnóstico da NPC.
Em 40% dos casos, o período neonatal é marcado por uma hepatoesplenomegália, com icterícia colestárica prolongada, geralmente de regressão espontânea, podendo no entanto evoluir para uma insuficiência hepática rapidamente fatal. Esta hepato e/ou esplenomegália é um sinal frequente na criança, podendo permanecer isolada antes dos sintomas neurológicos, embora esteja ausente em 10 a 15% dos casos.


Alterações neurológicas mais comuns

Na forma infantil severa (cerca de 20% dos casos), a criança revela um atraso no desenvolvimento motor e hipotonia antes dos dois anos. Nos outros casos (em 60 a 70% dos casos), os sinais neurológicos típicos são:
  • incapacidade de olhar para cima e para baixo (oftalmoplegia vertical supranuclear);
  • má coordenação dos movimentos, por exemplo, na marcha (ataxia cerebelosa);
  • Perturbações do tónus muscular (distonia);
  • Dificuldade na fala (disartria);perda súbita do tónus muscular, provocando a queda(cataplexia);
  • Crises convulsivas;
  • Demência progressiva (entre os 3 e os 15 anos e, em 10% dos casos, na forma adulta);
  • Na forma adulta (10% dos casos), as alterações psiquiátricas são mais frequentes, tais como síndrome psiquiátrico que mimetiza uma depressão, perturbação bipolar ou uma esquizofrenia, com sinais neurológicos reduzidos ou pouco evidentes.
Diagnóstico

Primeiramente, deve conhecer-se os vários fenótipos clínicos que possam levar à suspeição da doença de NPC, seguido da limitação das hipótese de diagnóstico diferencial através de exames complementares.
Segue-se o diagnóstico bioquímico, que se baseia na cultura de fibroblastos da pele, obtidos por biópsia, sendo avaliada a sua capacidade para transportar e acumular colesterol. A acumulação do colesterol não esterificado em fibroblastos é avaliada através da coloração das células com filipina, que brilha sob luz ultravioleta.
A lesão bioquímica pode ser de severidade variável (fenótipos clássico, com numerosas vesículas perinucleares coradas, em 85% dos casos; variante, com um nível de acumulação inferior e variável, em 15% dos casos), sem correlação estreita com a clínica. O transporte de colesterol é avaliado a partir da taxa de esterificação do colesterol exógeno, sendo esta nula ou baixa no fenótipo clássico, e moderada no fenótipo variante. Este é um teste útil na confirmação do diagnóstico no fenótipo variante.
Contudo, como é complexo e caro, pode proceder-se logo à sequenciação genética dos genes NPC1 e 2 nos casos altamente positivos (fenótipo clássico) com o teste da filipina, sendo esta necessária para a confirmação do diagnóstico.
O diagnóstico pré-natal é realizado pelo estudo bioquímico e, se possível, através da identificação das mutações, por genética molecular.



Este paciente com doença de Niemann-Pick foi um menino com piora progressiva esplenomegalia causando dificuldade respiratória e anorexia.


Tratamento


Até ao momento, não existe cura pelo que a doença é sempre fatal. A maioria dos indivíduos morre antes dos 20 ou até mesmo 10 anos de idade. Um aparecimento tardio dos sintomas está relacionado com uma maior esperança de vida, apesar de ser extremamente raro para qualquer pessoa chegar aos 40 anos. Contudo, avanços na compreensão da doença levaram ao aparecimento de um medicamento que melhora a sintomatologia, e sobretudo provou retardar a progressão neurológica da doença. Foi a 29 de Janeiro deste ano que o miglustato, medicamento já aprovado para a terapêutica da doença de Gaucher tipo I leve a moderada, nos casos dos doentes não susceptíveis a terapêutica enzimática de substituição, foi aprovado na União Europeia para o tratamento das manifestações neurológicas progressivas em doentes adultos e pediátricos com a doença de NPC.

Referências

Projeto Colibri, WebPhatology


Posted by: Pedro Antonione

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O QUE É A DOENÇA DE HODGKIN OU LINFOMA DE HODGKIN?

O QUE É A DOENÇA DE HODGKIN OU LINFOMA DE HODGKIN?

A doença de Hodgkin, ou linfoma de Hodgkin, pertence a um grupo de neoplasias denominadas linfomas. Linfoma é um termo genérico para designar os carcinomas que se desenvolvem no sistema linfático. A doença de Hodgkin, um linfoma pouco comum, representa menos de 1% de todos os casos de cancro nos EUA. Os outros carcinomas do sistema linfático denominam-se linfomas não-Hodgkin.
Para compreender a doença de Hodgkin, é útil conhecer as células normais e o que lhes sucede quando se tornam cancerígenas.
Na doença de Hodgkin, as células do sistema linfático tornam-se anómalas e começam a dividir-se e a crescer a um ritmo demasiado rápido e de forma descontrolada e desordenada. Devido às suas características, o linfoma de Hodgkin é considerado uma neoplasia.
Dado que o tecido linfático está presente em diversas regiões do organismo, a doença de Hodgkin pode ter origem em praticamente qualquer parte. Esta doença pode ocorrer num único nódulo linfático, num grupo de nódulos linfáticos ou ainda noutras partes do sistema linfático, como a medula óssea ou o baço. Este tipo de cancro quando se dissemina, fá-lo de forma relativamente ordenada: de um grupo de nódulos linfáticos para outro. Por exemplo, se a doença de Hodgkin surgir em nódulos linfáticos do pescoço alastra primeiro para os nódulos situados acima das clavículas e só depois para os nódulos linfáticos debaixo dos braços e no tórax. Por fim, pode disseminar-se para qualquer outra parte do organismo.

SINTOMAS

Os sintomas típicos da doença de Hodgkin são os seguintes:

  • Inchaço indolor nos nódulos linfáticos do pescoço, axila ou virilha
  • Febre recorrente inexplicável
  • Suores nocturnos
  • Perda de peso inexplicável
  • Comichão
DIAGNÒSTICO

Se houver sinais que possam sugerir a presença da doença de Hodgkin, é fundamental para além da história médica e do exame físico do doente, a realização de exames auxiliares de diagnóstico, nomeadamente: análises ao sangue, radiografias, Tomografia computorizada- TACs, Estudo por emissão de positrões- PETs, biópsias da medula óssea .

O exame físico inclui a palpação dos nódulos linfáticos do pescoço, axilas ou virilhas para verificar se estão inchados. O exame físico deve ser complementado com a realização de outros exames que produzam imagens do interior do corpo, tais como:


Tratamento

A doença de Hodgkin pode ser tratada com:
  • Quimioterapia
  • Radioterapia
  • Transplantação

Em geral, a doença de Hodgkin é tratada com quimioterapia ou radioterapia, ou ainda, uma combinação de tratamentos.

RECUPERAÇÃO E PERSPECTIVAS

Quando os médicos falam sobre a sobrevivência ao cancro, podem utilizar o termo remissão, em vez de cura. Embora muitas pessoas com a doença de Hodgkin sejam tratadas com sucesso, os médicos utilizam o termo remissão porque o cancro pode reaparecer. É importante discutir a possibilidade de recidiva (reaparecimento) com o médico.

REFERÊNCIA

http://www.roche.pt/sites-tematicos/infocancro/index.cfm/tipos/linfoma-hodgkin/


Postagem: Pedro Antonione